O Capote
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Não, nada a ver com Truman Capote nem o filme homônimo de 2005. "O Capote" — ou "The Overcoat" em inglês, ou Шинель no original russo —, é uma das melhores peças de teatro que eu já vi! E vi há dois dias, no SESI da Paulista, graças a um convite do meu amigo Tiago Cordeiro.
Em uma parceria entre o Centro Cultural FIESP e o British Council do Brasil, o grupo inglês Gecko foi trazido ao país pela primeira vez, para interpretar essa adaptação de um conto de 18 páginas, escrito em 1842 pelo russo Nikolai Gogol. A última vez em que houve essa parceria com o British Council foi em 2008, e eu também tive a sorte de ver o espetáculo. Foi com "Cymbeline", uma peça de Shakespeare que ficou ótima na versão modernizada.
A história d"O Capote" é sobre Akkaki, um pobre escrevente que é o mais baixo burocrata da repartição pública onde trabalha. Por ser o único que enfrenta o rigoroso inverno com um velho sobretudo rasgado, costuma ser motivo de chacota e segregação. Então ele se afunda no trabalho, para ser promovido, ganhar mais, e comprar um casaco melhor... ou um capote (pegou? pegou?). No final das contas, o tal capote de peles e lã é uma metáfora, um símbolo de prosperidade para ele. Além de uma chance para ser notado por Natália, sua colega de trabalho que ele ama secretamente. Ele tenta pelo caminho da honestidade e trabalho duro... mas só se ferra. Aí, aparece uma outra chance. Mas não vou estragar a história.
Tudo isso é contado por atores de oito nacionalidades diferentes, cada um com seu idioma. Pois é! E isso inclui o brasileiro Rodrigo Matheus, convidado especialmente para as apresentações no país, e que interpreta muito bem o papel principal de Akkaki. No meio de tantas nacionalidades e línguas diferentes, a plateia não fica nem um pouco perdida, porque o que importa é a performance corporal de todos. Isso é muito legal.
Rodrigo foi convidado por ser diretor do Centro de Formação Profissional em Artes Circenses (CEFAC). A peça é performática, cheia de saltos, atores dependurados por cabos, e até efeitos de "câmera lenta" e bullet time. São recursos muito divertidos! Eu já tinha visto coisas assim em outras peças, claro, mas nunca todos ao mesmo tempo. E tão bem feitos! Somando com a iluminação impecável e a música tocada em cena, realmente as palavras são dispensáveis.
A peça é totalmente emocional. A rotina de Akakki se mistura com seus pensamentos, sonhos e pesadelos, de tal forma que, no final das contas, você não sabe mais o que é realidade. E é impressionante essa performance física dos atores, tudo é muito vigoroso e empolgante. No final, a atmosfera criada pelo cenário e figurino lembra muito os antigos filmes de cinema mudo, por vezes misturados com os clássicos musicais do Fred Astaire e Gene Kelly. Um prato cheio pra quem curte uma nostalgia, que é o meu caso! Dá uma olhada nas fotos.
A temporada em São Paulo se encerrou hoje. Mas o grupo viaja agora para Brasília, onde vai se apresentar no Teatro Nacional de 12 a 14 de Março. Em seguida, o espetáculo segue para Bogotá, na Colômbia.
"O Capote" tem censura 14 anos e, pelo menos em São Paulo, foi uma apresentação gratuita durante a semana e, no fim de samana, custava só R$ 10 — R$ 5 a meia! Ótima opção, gastando pouco.
Isso mostra que a programação do SESI-SP está bem legal para este ano! E eu pretendo ficar atento para mais peças legais. Vou informando por aqui.
Realmente, não entendo como pode ter gente que não gosta de teatro!

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